- É incrível como a vida de uma criança que não possui as características estabelecidas e que não corresponde a as expectativas dos pais pode se tornar um inferno. Porém o que se sente hoje pouco importa. Eu cresci, e a febre pela ausência passou ficaram-se as marcas, lembranças inapagáveis. Nunca escolhi azul ou rosa bonecas ou carrinhos eu queria, musica desenho e gibis da Marvel ao invés de turma da Mônica. Queria ser livre! Mas, fiquei cheia de mim e vazia, vazia de canções. Restaram os berros a diferença empurrada por água abaixo sem respeito e espaço. Nunca quis ser posta a prova muito menos machucar pessoas com minhas escolhas em minha busca cotidiana, o que acontece? Não sei! Parece que aqui nada pode existir de bom porque não foi uma escolha já pré-estabelecida por todos eles. Quando se nasce não se tem escolha de nada. Somos apenas bonecos moldados sem forma pronta. Moldados com todo cuidado, com dedos na cara, mãos, tapas, chinelos, garrafas, cabos de vassouras, berros e gritos. O que houve como dialogo e a valorização da verdade eu sinceramente não sei. Não sei mas acho que é clara a preferencia. Mas fique quieta, não ande você pode cair, não lute matara alguém, não diga o que pensa é falta de respeito. O que sei é que aqui dentro sempre existiu um amor incondicional por tudo que é belo, calmo e simples. Mas o mundo machuca e a vida pode ser muito fria até para a melhor das criaturas.É de onde vem a vista da chamada revolta que é nada mias nada mesmo que a persistência a luta pela sobrevivência do próprio eu. A verdade é que a reação para com a diferença dói, corrói, consegue destruir qualquer fio de esperança de ser aceito e de ser visto como gente. Nada me tira da cabeça que preferem viver na farsa. Que realmente gostam disso é mais cômodo não ser o que se é. As pessoas se detestam! Isso sim é verdade. Zombam de si mesmo, zombam de seus inconscientes. A verdade já está morta não conseguem ver nada de bom em nada que não possui rótulos mecanizados, em tudo o que não tem nome. Não conseguem ver a beleza natural da totalidade da vida. O que é realmente importante. É assim que me sinto morta! Morta como a verdade. Morta persuadida e acovardada pela sociedade.
(Akaí Enenawê- Nawê)
